
No início de cada ano, somos impactadas por mensagens de metas, recomeços, objetivos e promessas de que “agora vai”. É nesse contexto que trago um convite importante, especialmente para mulheres que estão tentando engravidar.
Quando pensamos em fertilidade, o foco costuma ser o corpo: exames, hormônios, ciclos, alimentação… Mas e a mente? E as emoções? E o peso emocional que acompanha cada tentativa?
Fertilidade não é só o corpo, mas também da mente
Na prática clínica, é muito comum ver mulheres extremamente comprometidas com o cuidado físico, mas completamente exaustas emocionalmente, esquecem de olhar para dentro.
A tentativa de engravidar envolve expectativa, esperança, frustrações e, muitas vezes, silêncio. E tudo isso também atravessa o corpo, não porque “pensar positivo faz engravidar”, mas porque o corpo funciona como um sistema integrado, e o emocional faz parte desse sistema.
A fertilidade pode ser influenciada por fatores emocionais de várias formas. A relação entre saúde mental e fertilidade já é amplamente discutida na prática clínica, como explico com mais profundidade neste post: Saúde mental e fertilidade: entenda essa conexão
Quem está tentando engravidar, muitas vezes convive com:
- estresse crônico;
- ansiedade intensa a cada ciclo;
- frustração prolongada, frustração após resultados negativos;
- medo de não conseguir engravidar;
- cobranças internas e externas;
- comparação com outras mulheres
Nada disso é sinal de fraqueza, são respostas humanas a um processo que exige muito. O problema não é sentir, é sentir sozinha, em estado de alerta contínuo. Não se trata de “pensar positivo e engravidar”, mas sim entender que o corpo funciona como um sistema integrado.
Engravidar é um processo que envolve ciclos, expectativas, esperança e, muitas vezes, incerteza. As mulheres tentantes fazem parte de um processo pesado e silencioso, então é necessário que sejam acolhidas, e nunca ignoradas.
Saúde mental não é detalhe, é base.
Cuidar do emocional não garante um resultado, mas muda profundamente a forma como a mulher atravessa esse caminho.
O que a ciência já observa sobre mente e fertilidade?
Estados prolongados de estresse podem interferir no eixo hormonal responsável pela ovulação e pelo ciclo menstrual. Estudos e instituições como a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhecem a importância da saúde mental (https://www.who.int/health-topics/mental-health) como parte essencial da saúde global.
Além disso, pesquisas disponíveis em bases científicas como o National Institutes of Health (NIH) apontam que o estresse crônico pode impactar o funcionamento reprodutivo (https://www.ncbi.nlm.nih.gov/).
Isso não significa que a ansiedade “cause infertilidade”, mas que o corpo responde ao contexto emocional em que vive.
Cuidar da mente também é parte do preparo para Engravidar!
O preparo para engravidar vai além de exames e protocolos. Ele envolve rotina, descanso, alimentação adequada e, principalmente, um ambiente emocional mais seguro.
Cuidar da saúde mental inclui:
- observar emoções sem julgamento;
- reduzir comparações constantes;
- criar rotinas mais estáveis;
- buscar apoio profissional quando necessário.
O acompanhamento nutricional, quando feito de forma integrada, também acolhe esse contexto emocional. Não é só sobre o que se come, mas sobre como se vive esse processo.
Fertilidade é corpo, mente e ambiente!
Fertilidade não depende apenas de um hormônio, um exame ou um resultado isolado. Ela é influenciada pelo contexto de vida, pelas emoções e pelo cuidado contínuo com a saúde física, hormonal e mental.
Então, cuidar da mente também é cuidar da fertilidade. Reconhecer essa conexão não gera culpa, gera consciência.
Saúde mental e fertilidade caminham juntas. Ao olhar para o emocional com atenção e respeito, a mulher cria um ambiente mais favorável para o funcionamento do corpo e para o próprio bem-estar.
Mais do que alcançar um resultado, o cuidado integral permite atravessar a jornada com mais leveza, segurança e direção.
Ao longo dos anos acompanhando mulheres em diferentes fases, vejo tudo que disse aqui na prática. É nesse espaço de cuidado integrado, consciente e individualizado que o acompanhamento faz diferença: ajudando a organizar o corpo, aliviar a carga emocional e trazer mais direção para o caminho.
Ninguém deveria atravessar esse processo sozinha, e o cuidado certo pode transformar não só os resultados, mas a forma como essa jornada é vivida. Conte comigo para te guiar nesse processo.




